Exposição “Sonhos de consumo e pesadelo” – Walter Lambert

Sonhos de consumo e pesadelo – Walter Lambert

Como um Puck às ordens de seu próprio olhar, Lambert traz à tona a esmagadora obsolescência tecnológica mais uma vez. Bem como as paixões de uma noite de verão, a sucata tecnológica torna-se novamente um objeto de desejo. A luta pelo reuso pode demonstrar forças ainda incompreendidas nos feitiços de um artista.

Assim como uma Titânia encantada, nosso olhar pelo novo é sempre na forma de sonhos. Consumos frenéticos momentâneos e arrebatadores. Mas o novo surge outra vez e sonhos tornam-se pesadelos obsoletos e inúteis com a mesma velocidade e facilidade.

As tecnologias que alimentam as novidades também trazem questionamentos, não apenas de consumo, mas sociais. As redes que fortalecem as relações e encurtam distâncias, são as mesmas que se tornam obstáculos pelo peso do tempo. As gerações encantam e criam novos interesses, novas seduções e as descartam sem maiores pudores.

A partir da compreensão, e sem qualquer forma crítica pois esta realidade é imutável e não está restrita ao hoje, tem-se o dinamismo da instalação “SONHO DE CONSUMO E PESADELO”. Com um olhar tridimensional, a noção de rede e de contatos através das tecnologias são resignificados. O artista propõe uma reflexão da contemporaneidade, em uma poética muito própria. A reapropriação de descartes tecnológicos como forma de evidenciar o tempo atual e o reuso, do tempo, dos valores, dos materiais e principalmente do consumo.

A tridimensionalidade da obra, envolve o visitante em um convite além do visual partindo para um sensório único e individual dando a cada um, uma nova significação do dejeto neste onírico individual.

A proposta principal resvala, no entanto, na conscientização se somos apenas consumos descartáveis ou se pensamos também no lixo que este consumo gera.

Invariavelmente, e em uma leitura sem aprofundamento, tem-se a mensagem clara que nossos atos durante um prazeroso sonho, podem se tornar pesadelos. Com a ajuda de Lambert ficamos aqui então com a proposta resignificativa de um sonho para um dia contemporâneo com um final feliz, mesmo que este final não esteja nem perto de chegar.

Texto de PC Mello, PhD

 

 

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