Exposição “CADAFALSO” – Alessandra Cunha

Passo os olhos pelas imagens. As cores chamam a atenção. Muito vermelho e amarelo, um ocre forte. Uma segunda passada de olhos e vejo figuras humanas, homens, seriam Apolos? Hércules? Mas há um homem obeso. Ah, preciso olhar melhor.

Os olhos continuam correndo pelas imagens e eu tentando pará-los. Umas caveiras, uns falos começam a chamar a atenção. Vamos, pare demoradamente em cada uma das imagens!

Um suspiro e consigo fixar em uma imagem. Vejo uma frase que está escrita de trás para frente. Brincando de ser Leonardo? Não, é apenas uma das tantas citações presentes nas telas.

A arte contemporânea permite que a artista beba em diversas fontes para a sua produção. Por isso, nas imagens da série “Cadafalso” é possível perceber figuras clássicas, escritas renascentistas, cores fouvistas e referências ao grafitti.

Os homens, seus falos e suas mãos em atitudes agressivas, apresentam o mote da série: a violência machista em todos os sentidos e contra todos os públicos, não apenas contra as mulheres.

A violência estampada nos noticiários contra a população LGBT e sim, também contra as mulheres, transforma-se em pintura pelas mãos de Ropre. Daí as cores fortes, a diversidade de corpos masculinos, os falos em riste e as mãos obscenas. Signos que contam sobre a dor, sobre o desconforto, sobre a indignação da artista diante das atrocidades diárias, promovidas pelo machismo descarado e/ou mascarado.

Pelas palavras da artista: “desejei pintar turbulentas imagens para causar um silêncio no observador.”

É esse silêncio que sinto agora.

Após a primeira impressão que causou a turbulência no olhar, o silêncio me consome e faz refletir: Até quando?

 

Texto de Eliane Tinoco

Professora de arte, produtora cultural e artista na Cidade de Uberlândia-MG.

 

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