Exposição “A VOZ DO SILÊNCIO” – Aldo Torres

 

 

Para essa exposição preparei esculturas e composições de variadas dimensões. Nas composições me inspirei nas brincadeiras de criança, quando fazíamos brinquedo, unindo mangas verdes com pequenos galhos secos de goiabeira fazíamos uma boiada.

Nasmicro esculturas, utilizo madeira reciclada e transformar tacos de sinuca descartados, bengalas e baquetas quebradas têm um significado muito importante. Há cerca de dez anos, estando na situação de morador de rua, onde estive por quase três anos, trabalhei minhas primeiras obras utilizando um pedaço de um taco de sinuca. Das esculturas que trabalhei na rua, me sobrou apenas uma, após ter uma casa, tive a oportunidade de dar um acabamento melhor pra ela e lhe dei o nome de “Torre Humana”.

As obras “Composição Losangeliana”, “Sociedade Desinteressada” e “Vivendo em uma Sociedade Líquida”, seguem princípios de esculturas efêmeras, pois sofrem a ação de fungos e, a última das três, está se deteriorando dentro de uma garrafa de cachaça. Diferente de outras exposições, as obras foram feitas para serem vistas separadamente, não há conexão entre uma e outra peça.

Sobre ser artista, entendo que as brincadeiras de criança me ajudaram com o meu processo criativo, e por esse motivo, considero que vender não é o objetivo principal de minha obra. Antes disso, exercito minha memória do tempo em que brincar era a tarefa mais pesada do dia. A criança de hoje pode ser o artista de amanhã, dar a elas a oportunidade de brincar podeser a melhor coisa que podemos fazer.

A VOZ DO SILÊNCIO pode ser a fala de uma criança, como pode ser também o choro de muitas delas. Diariamente me deparo com algumas a pedir dinheiro para comprar uma bala. Independente de quem seja o pai e a mãe desse pequeno ser humano, é intenso demais para ficar apenas olhando. Sem querer, meus olhos jorram lágrimas, porém não considero que denunciar ao Conselho seja o melhor a fazer.

 

“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.

É melhor tentar, ainda que em vão sentar-se, fazendo nada até o final.

Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.

Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.”

                                                                                             MARTIN LUTHER KING

 

 

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