Exposição: Fragmentos

Tramas do tempo e do espaço

Viver é conviver e pensar é repensar.
Pedro Caminada Manuel-Gismondi

Num fluxo contínuo a vida segue seu rumo, e sem sabermos ao certo para onde vamos, somos levados juntos a ela. Nessa história sem fim, é possível contar e recontar as inúmeras vezes que nos perguntamos, quem somos e para onde vamos, mas mesmo com tantas dúvidas e incertezas, continuamos. Weimar é uma dessas pessoas especiais, que encontrou na arte sua maior expressão e o meio ideal para refletir sobre a vida. Entre linhas e manchas constrói e reconstrói paisagens – observadas ou imaginadas – as quais nos convidam a refletir sobre nossa própria existência.

Suas paisagens modificadas apresentam a síntese da forma e da cor, as quais geometrizam o olhar, ou o olhar geometrizado apresenta a paisagem em sua síntese – pontos, linhas, formas e manchas. Na justaposição desses elementos, a artista tece tramas de uma memória, tanto nas camadas de tinta quanto nas colagens de fragmentos, ela busca incessantemente a ordem, uma organização própria que faça ganhar sentido a composição imaginada, materializada em trabalho artístico.
Sendo o fenômeno da refração o desvio que sofre um corpo em movimento ao passar um meio resistente, é possível afirmar que em suas paisagens, Weimar refrata a realidade, transformando-a numa representação do seu ponto de vista, traduzido em formas. Nessa busca constante pela reestruturação dos elementos e da vida, a artista, em sua série Fragmentos, ressignifica sua própria trajetória, fragmentando-a e reorganizando-a em uma nova ordem.

Nessa série, a artista não busca apenas a síntese da paisagem, do espaço físico ou imaginário, mas a síntese do tempo, pois ao resgatar trabalhos, principalmente pinturas de seu início como artista plástica, Weimar retoma o tempo até então adormecido – memórias, das memórias. Por conta da grande capacitada que a arte tem de se reconstruir e de se ressignificar, todo e qualquer trabalho artístico tem a potência de se tornar outro. A partir dessa reflexão sobre arte e vida, encontrou-se na reestruturação – formas regulares, quadrados – um meio de se contar uma nova história, na qual se justapõem-se tempos e espaços distintos.

Ao cortar em quadrados simétricos suas telas, a artista fragmenta composições, as quais separadas do todo podem se combinar com outros fragmentos, e com essa nova montagem, apresenta-se uma nova paisagem, organizada em grades, contidas em limites pré-determinados, convidando o observador a repensar as relações entre esses fragmentos, questionando-se as escolhas feitas e as possíveis relações que podem ter entre si. Reflexões estas que fazem o observador ter uma posição ativa frente ao trabalho artístico apresentado.

Sendo este trabalho a memória da memória – fragmentos –, as camadas de tinta, as escritas na tela, os espaços em branco, as cores e as formas tornam-se peças do jogo da vida, como se assim fosse possível, voltar no tempo, recontar a história e mudar o presente. Nessa intersecção de tempos, percebemos o quanto somos frágeis e suscetíveis ao fluxo constante da vida, mas que a arte nos possibilita permanecer e estabelecer novos pontos de contado nessa imensa trama do tempo e do espaço.

Não é como na arte, onde cada obra instaura um mundo,
mesmo se utiliza perspectivas já exploradas por outros.
Pedro Caminada Manuel-Gismondi

Fabiola Notari

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