Exposição: Moedas

A Memória e o Valor

O próprio nome da exposição Moedas, deixa acentuar um caminho entre aquilo que se guarda ou se perde para sempre. Pois moeda não tem o mesmo valor que dinheiro. Moedas distribuímos sem pudor. Moedas doamos aos moradores de rua para não nos incomodar, deixamos no restaurante para não carregá-las no bolso. As descartamos, as desincorporamos do nosso corpo.

Ao mesmo tempo a palavra Moeda carrega o peso e o estigma do Valor Monetário. Esta Moeda não queremos descartar. Apesar da economia ser a esfera da produção, da circulação, do valor (qual o valor?) e finalmente da política e do poder.

Em Moedas, Alexandre Frangioni passa a refletir sobre as possíveis relações entre valores históricos e atuais. Que dispararam no artista a fagulha para a discussão, através de sua obra, sobre todos os valores e como eles se relacionam com o passar do tempo, com a partição do tempo, embora o tempo continue ininterruptamente.

Ao produzir as obras com o dinheiro antigo e sem validade/valor, estes objetos passam a valer, então, pelo que não o são, pela intensidade da negação de que são capazes.

Alexandre bebe na fonte de artistas brasileiros, mestres como Nelson Leirner, que através das intervenções em objetos cotidianos questiona o sistema e os valores na arte e na sociedade; de Cildo Meireles, que imprimiu frases subversivas e de resistência em cédulas de dinheiro brasileiro, no período da ditadura militar. E claro, nos ready-mades do artista frânces Marcel Duchamp, que trazem forte expressão dadaísta através do uso de objetos industrializados.

As obras no espaço expositivo ultrapassam a sugestão de objetos tridimensionais que se esforçam para delimitar um lugar no mundo: elas encenam um acontecimento. Tal ato, do qual somos testemunhas, se apresenta como uma fenda efêmera no espaço real, nos levando a um passado vivido ou imaginado.

O desafio, para o observador, é precisamente detectar na exposição Moedas, uma narrativa concreta, pois as obras parecem compor um impossível ballet, que ativamente provocam o espectador.

A visão do artista não é somente uma posição, é principalmente uma atitude diante das relações entre memória, tempo, dinheiro, valor e a real importância do humano.

Adriana Rede

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