Exposição: Dentro da Mata

Dentro da Mata – “Imaculada” – por João Sebastião Barros – em memória

Miguel Penha é “O pintor” na essência. Transporta em si estas significações, ora vista em sua obra de óleo sobre tela de caráter puro e altaneiro. Suas figuras, advindas de suas árvores retilíneas, de “Dentro da Mata”, nos inspira à compactuações lineares e plásticas. Sobretudo, assevera ou confere-nos estas qualidades plásticas, inerentes e presentes nos seus quadros. Estabelece esta constatação da sua fugaz e permanente busca poética com a sua floresta virgem, intocada, “Imaculada”.

Lembra-nos das ilustrações de um Brasil recém-descoberto. Força-nos, com arte, a observar que os dias das matas fechadas, estão contados. Poetisa com este constante matiz esverdeado, o qual realiza a fotossíntese em presença da luz solar, libertando o oxigênio, tão necessário à vida no planeta. Por sua vez, encontra-se representado nos tons azulados emanados de “Dentro da Mata” de Miguel Penha!!! Azul é a cor do Oxigênio!!!

Plasma-se na atmosfera do quadro-obra, esta exuberância clorofílica, procedente da grande porção das folhas, dos enramados inseridos em seus verdes frios, refrescantes e prazerosos. Certamente que estimula e nos remete para dentro desta mata virgem! Uma sobrevivente?Uma deusa na imaginação do artista Miguel Penha?

Nesta reflexão pictórica, Miguel Penha coloca-nos ao reverso do estar “Dentro da Mata” e nos conduz em dignidade, beleza e poesia, à “Mata a Dentro”. Alcança o subjetivo. A leitura do olhar do espectador-sujeito adentra-se ao espírito da floresta.

Neste bioma plástico e visível aos nossos olhos, neste enramado em grande escala, se oculta a presença dos seres vivos, dos animais, os verdadeiros protagonistas e habitantes das matas brasileiras, hoje quase “Imaculadas.”

As linhas retas na vertical, símbolos da masculinidade, são indicativas a desempenharem o papel de transmissões ideológicas, de alertas, de contatos, de sinalizações em tons de verdes exuberantes. Algo ainda pode ser feito para reverter o processo de desaparecimento das nossas florestas?

O quadro, o qual me trouxe mais admiração de beleza e êxtase, está logo à entrada, e chama-se “O Igarapé” que quer dizer em Tupi “caminho da água”. Estou admirado!!!

João Sebastião Barros, Pintor
Prêmio Viagem No País, Crítico e Amante das Artes Visuais

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