Exposição: Formas D’Água – Reflexão por transparência

Formas D’Água – Reflexão por transparência

A mostra tratará de relações entre produção artística, meio ambiente e contexto atual, homenageando um dos bens naturais mais preciosos. A apresentação de diversos tipos de imagens aquíferas e uma esperada recepção traça a linha curatorial. Eis que nesta mostra no MARCO (MS) serão traduzidas em obras plásticas as principais características da ÁGUA, e em particular, sua transparência, sua capacidade especular como reflexo de formas e cores com ou sem interferências.

O tema específico escolhido para o contexto sul-mato-grossense, Reflexão por transparência, nos fará lembrar a qualidade de onde surgiu a imanência de Narciso, um dos mitos fundadores da pintura, no qual a beleza foi impreterivelmente retida na imagem. Na arte de Patrícia Claro, arte e natureza muitas vezes diluída no passo avassalador da tecnologia se converte em geradores de sentidos e de enlaces duradouros entre reflexão/imagem, olhar/consciência, compromisso social/tecnologia que nos leva a refletir sobre o problema da água uma vez sublimada.

Sendo considerada uma artista multimídia, ela encontra com a diversidade dos reflexos produzidos pela água uma fonte infinita de imagens e as transforma em arte. A pintura de Patrícia Claro utiliza meios digitais e os detalhes são recortados digitalmente como preâmbulo de um processo que depois é plasmado no pigmento sobre o linho. Assim, também, realiza vídeos e põe em uso outras linguagens para mostrar as possibilidades artísticas da água. Algumas das obras ganham força com a música experimental do compositor chileno Max Zegers artista experiente na criação de trilhas sonoras.

Com um trabalho que discute interface entre artes visuais e indústria desde o processo criativo, o importante conceito da Economia Criativa é posto em prática. A oportunidade de exibir o seu trabalho no Brasil, país com maior concentração de água no mundo serve como espaço de reflexão sobre a diversidade e a unicidade dos biomas aqui encontrados.

Em Mato Grosso do Sul, o resultado da sua residência realizada com o auxílio do ICMBIO – Instituto Chico Mendes, a artista tomou como cenário o famoso ecossistema de Bonito apresentando a série Águas Perdidas (2015). Após estudar as várias acepções que tomavam o rio em seu trajeto escolheu fixar o interesse da sua representação nas chamadas Lagunas Perdidas, nome dado a este lugar quase virgem e que fundamenta parte de seu objeto de estudo. Aqui ela se depara pela primeira vez com um rio que não está situado no Chile e que provém do Aquífero Guarani, o maior manancial de água subterrânea do mundo.

Estas lagunas ostentam uma profundidade e transparência que chegam a ser, ao dizer da artista, um verdadeiro mosaico com capacidade extrema de absorver e recriar camadas aquosas e tudo o que está ao seu redor. Na obra da artista o destaque foi concedido às cores e à ramagem formada pelos juncos, vegetação que oscila dentro e fora da água. Seu método é seguir a luz em verticalidade até o mais fundo possível de ser alcançado pela visão. O resultado final é a transparência das águas sereníssimas da superfície e a sua beleza estonteante e hipnótica.

Curadoria: Rafael Raddi e Xenia Bergman

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