Exposição: Gravuras do MARCO

Quando da matriz e da cópia – gravuras do acervo do MARCO

O exercício curatorial abrange investigações conceituais que propõem novos desdobramentos ao discurso artístico. Consiste na reorganização e ampliação do campo de leitura estética a fim de ressignificar alguns sentidos existentes a priori.
Combinar linguagens e vislumbrar nas diferenças entre as obras possibilidades para extrapolar consensos requer cuidadosa articulação dos aspectos que estabelecem relações assimétricas entre elas, reposicionando estrategicamente a narrativa original para atender outras intenções de comunicação.
A exposição Quando da matriz e da cópia reúne gravuras cujas imagens foram previamente trabalhadas numa matriz – madeira, pedra ou metal – e impressas em papel. Apesar do princípio da multiplicidade, característico dessa linguagem, as cópias não diminuem a potência nem o valor individual de cada obra.
O embate com a matéria (ato de gravar) sempre determina os caminhos para concepção dos trabalhos. A corrosão do metal, o talho na madeira e a acidulação da pedra são processos específicos para construção e fixação das imagens nas matrizes. Traços largos, linhas finas, tramas, manchas e gradação de tonalidades são faturas gráficas que compõem o repertório pessoal do gravador.
A dramaticidade das imagens, geralmente, é valorizada através de relevantes contrastes entre preto e branco em rica combinação de elementos monocromáticos, ou, em alguns casos, com presença controlada da cor.
Processo que exige concentração, atividade mental e intensa conexão entre o artista e a matéria, forjando relação de cumplicidade que combina controle e expectativa, tempo e ansiedade, desejo e realidade.
A linguagem da gravura é repleta de nuances, invenções e singularidades. Elaborada meticulosamente numa dimensão poética que atravessa o tempo e afirma sua permanência entre procedimentos dissonantes da produção artística contemporânea.

Rafael Maldonado
abril, 2016

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