Exposição: Ondulação

ONDULAÇÃO

Data do início da década de 1880 a publicação de uma série de experimentos realizados por Johan Karl Friedrich Zöllner com médiuns de efeitos físicos, onde declarava sua hipótese sobre a existência de uma quarta dimensão para justificar os impressionantes fenômenos que registrou em sua pesquisa:

“demonstrei minuciosamente, no primeiro volume das minhas obras, com que facilidade se pode resolver este problema, pela aceitação da quarta dimensão do espaço. A mesa, que durante seis minutos desapareceu, deve no entanto ter existido em algum lugar, e a quantidade de substância que a compõe deve, de acordo com o citado princípio da razão, ter-se conservado sempre a mesma. Se a palavra ‘onde’ apenas designa um lugar, e tendo sido empiricamente demonstrado que esse lugar não pode estar situado na região do espaço de três dimensões, perceptível para nós, (…)’onde’ se tornou uma resposta incompleta e por conseguinte incapaz e necessitando de ampliação. (…) a concepção da posição justa desenvolve-se pelo recurso da quarta dimensão do espaço absoluto, o que por mim já foi minuciosamente demonstrado. [ZÖLLNER, J.K.F. Physica Transcendental. Rio de Janeiro: Typ. Rua de S. Gabriel n. 3-a, Meyer, 1908. pp.77-78]

Como se pode supor, Zöllner não foi o único cientista a pesquisar fenômenos mediúnicos naquela época, pelo contrário, havia grande interesse sobre o assunto e pesquisadores como Thomas Edison e Nikola Tesla aventavam a possibilidade de comunicação com outras formas de existência através de ondas eletromagnéticas. Não por acaso, tal hipótese persistiu e aqueles que hoje se debruçam sobre a transcomunicação instrumental (TCI) têm conduzido diversos experimentos com aparelhos eletrônicos, alguns com flagrante sucesso. Todavia, por conta da difícil comprovação e estranheza de seus objetos, permanece à margem das ciências oficiais a TCI.
Consideremos que a não comprovação de uma hipótese não implica automaticamente sua negação e veremos surgir aqui um campo extremamente fecundo, majoritariamente ocupado pela dúvida enquanto exercício de liberdade do pensamento e enfrentamento de certezas normativas; pois é com esse espírito em vista que convidamos todos a experimentarem o acolhimento de dimensões inauditas nessa insistente “ondulação” que intervêm sobre o espelho d’água das tranquilas certezas.

Luciana Ohira e Sergio Bonilha

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