Próxima Exposição: Céu de Querubins – Almas Gêmeas, de Aécio Sarti

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No meses de fevereiro e março de 2016, O MARCO apresenta, por intermédio da Fundação de Cultura e do Instituto Plano Cultural, a Exposição:

Céu de Querubins – Almas Gêmeas – de Aécio Sarti
– A nova objetividade na arte brasileira contemporânea.

Transformada em tela, a lona, de 12 metros de largura por 8 de altura, ficou pequena para as dezenas de querubins pintados pelo artista plástico sergipano Aécio Sarti. Cobrindo a carroceria de um caminhão, a obra nesta “tela” gigante rodou as estradas do Brasil, tornou-se tema de documentário e agora ganha
exposição inédita no MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul.

Intitulada, Céu de Querubins – Almas Gêmeas, esta mostra reúne pinturas, fotografias, poemas e projeções audiovisuais que documentam, não só a pintura dos querubins – anjos considerados mensageiros de Deus e símbolos da justiça divina, mas também possibilita o encontro das almas –
gêmeas.

Em “Almas Gêmeas” de Sarti, podemos observar grande semelhança com a obra “Alegoria Profética” da artista sulmatogrossense Lídia Baís, pertencente ao acervo do MARCO .

Um espelho da presença na terra, um resumo das idéias, sentimentos, ambições, virtudes e falhas. Uma história igualmente repleta de contradições a partir de suas próprias experiências à modernidade, presentes no absurdo do seu próprio existir em uma sociedade em processo de transição, ao qual refletem em suas obras esta trajetória de vida, como no percurso e o uso da lona, material este que remota aos primórdios do movimento Dadaísta consolidado nas críticas sociais e estilo do gênero artístico da Nova Objetividade.

O movimento Dadaísta este ano comemora 100 anos http://www.dada100zuerich2016.ch, com uma grande retrospectiva na cidade de Zürich, na Suíça e aprofunda as questões e críticas sociais encontradas no gênero da Nova Objetividade na Alemanha em meados dos anos 20 do século passado, que traduz: – “O que aqui estamos mostrando distingue-se pelas — em si mesmas puramente externas — características da objetividade com a qual os artistas se expressam.”

Esta coincidência ou “presente da vida” é definida pelo artista plástico como um processo de renascimento, ora das artes, ora dos objetos utilitários. “A lona que nasceu utensílio virou arte na minha mão e voltou para a estrada como utensílio. O pote que nasceu arte, foi para as residência do sertão como
utensílio e volta para as nossas casas, na região Sudeste, como objeto de arte. Para mim, só a vida é capaz de criar essas conexões universais”, comenta o artista.

A criação de objetos de diversos tipos, bem como a defesa de soluções propriamente nacionais, que não sejam cópias do que se produz nos centros internacionais, definem o espírito central da mostra, espécie de balanço dos diversos caminhos trilhados pela arte nacional. Tomada de posições políticas, superação do quadro de cavalete, participação corporal, tátil e visual do espectador, eis os ingredientes básicos da nova objetividade, que não almeja ser um movimento artístico, nos termos de Hélio Oiticica.

A nova objetividade “sendo um estado, não é pois um movimento dogmático, esteticista (como por exemplo foi o cubismo e também outros ismos constituídos como unidades de pensamento), mas uma ‘chegada’ constituída de múltiplas tendências, onde a falta de ‘unidade de pensamento’ é uma característica importante (…)”.

Em outras palavras, a exposição não pretende constituir um grupo artístico e sim ser a confluência de diferentes tendências. Os trabalhos não existem com a pretensão de ser apenas uma fuga pessoal, pois dono de uma evidente maturidade artística, Aécio continua desvendando-se através de suas obras,
convidando-nos para entrarmos em seu mundo.

Devido ao grande formato, a pintura da lona levada pelos caminhoneiros estará exposta e o público poderá conferir a trajetória de sua carreira artística que começou aos 14 anos de idade, com a mesma intensidade de hoje.

Trata-se de um artista que nasceu artista, e que passou a vida inteira retratando pessoas. Não há melhor maneira de conhecê-lo senão pela análise das diferentes fases pela qual atravessou sua pintura até culminar nas atuais figuras alongadas, geralmente duplicadas, desenhadas em primeiro plano sem o uso de perspectiva, sobre uma lona de caminhão usada.

Seus quadros apresentam histórias, sejam elas vividas, contadas, idealizadas, ou que somente deflagram sua constante busca por novos traços, novas técnicas, novos suportes e novas maneiras de dialogar com o mundo.

Quem assina a curadoria da exposição é Rafael Raddi do Instituto Plano Cultural de Brasília.

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