Exposição: Tech Colors

4ª Temporada de Exposições 2015
09 de dezembro a 31 de janeiro de 2016
Exposição: Tech Colors
Artistas: Bruno Lins

Tech Colors

As composições surgem como uma espécie de ruminação do contato com as novas estruturas do design e com as cores tecnológicas. O excesso de informação visual e o convívio com emissões de luzes artificiais e com diversos padrões de cores da publicidade e do design são derivações da era digital. Estamos imersos nessa era tecnológica na maior parte do nosso tempo. Convivemos de modo automático e incessante com a impermanência e a multiplicação de imagens.

Como dizia Giulio Carlo Argan: “(…) o que importa já não é a imagem em si, e sim o ritmo da produção, reprodução, associação, mutação das imagens”.

Pesquiso o aproveitamento de materiais descartáveis, por meio de recortes e colagens de papéis e embalagens encontradas no nosso cotidiano. Retiro cores de uma paleta já existente e pós-editada, resquícios do design editorial, da web design e do vídeo, que invadem nossa retina diariamente em uma convivência onde somos imersos no brilho de uma luz artificial.

Colagens pequenas, medindo 8×6 cm, solicitam aproximação e cuidado do olhar para que se percebam os detalhes das mínimas e essenciais ações dentro de um pequeno espaço. Micro circuitos de delicadas linhas e espaços cromáticos se ajustam lado a lado. Vetores e geradores de ideias, as pequenas colagens se multiplicam e geram um vocabulário pictórico para a elaboração das pinturas que possuem também uma configuração econômica e com poucos elementos. Não há o referencial do objeto e da representatividade do mundo. As composições, através de sua organização precisa e lírica, buscam o equilíbrio das formas e um momento da expressão primordial da cor, anterior ao significado.

Em alguns trabalhos, as composições expressam, através das cores, o espaço vazio e contemplativo. Em outros, a cor salta em intensidade e degrades e são como vitrais, caixas que emitem e atravessam a luz. Pinturas e colagens em sua concepção geométrica precisa, rigorosa, lenta e pausada flertam com as estruturas do Construtivismo, apontando em direção ao Minimalismo no que se refere à expressividade do material.

Tudo flutua e repousa na busca de um equilíbrio. Sorte se conseguirmos escapar por entre as linhas e por entre as frestas que se tornam finas e percorrem a composição. Sorte se conseguirmos ultrapassar as barricadas de cor, planos, atmosferas e vapores. E assim, dentro de acontecimentos inesperados, podemos obter um momento/tempo de suspensão.
Bruno Lins

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