Exposição: Frontera

3ª Temporada de Exposições 2015
29 de setembro a 29 de novembro de 2015
Exposição: Frontera
Artistas: Julio Cezar Alvarez

FRONTERA:

Mi pintura no está aquí, ni allí;
Mi pintura, no es limite, ni fin;
Es principio, es señal, es vibración, es mezcla de aquí y de allí.
Es un mirar de lejos… de cerca,
Es pregunta… quizá con respuesta….
Es dualidad dentro de la unidad…
Es un confronto y al mismo tiempo un encuentro…
Mis personajes son entidades…”todo el mundo”
“cualquier uno” “Ninguno”
“todos nosotros”…
Personajes actores haciendo coreografías que crean
Arquitecturas escénicas como “Bacantes dionisiacas”, provocantes, despiadados, irónicos, pero irremediablemente líricos, cuasi ensueños, cuasi realidad…
Están siempre en la frontera… en la vera…
En contramano… o en la misma mano….
De una escena de silencio absoluto o de un ruido infernal,
En una búsqueda elocuente, de encuentro o nó…
Yo no sé…
Usted sabrá?…

Julio Cezar Alvarez

 

Conheci Julio Cezar Alvarez em 1987,quando estive Secretário de Cultura do Estado ejá o encontrei trabalhando na Fundação de Cultura. Nascido em Assunção, Paraguai, em 1949, residia no início dos anos 1970 em Pedro Juan Caballero, onde fez sua primeira individual aos vinte e quatro anos, com o título “Homenagem à minha cidade”, revelando sua ligação profunda por essa cidade fronteiriça, para onde se transferiu e até hoje reside, depois de trabalhar por mais de uma década no Brasil.Essa cidade, separada de Ponta Porã apenas por uma avenida, é um ponto turístico dos mais queridos pelos sul-mato-grosssensespor seu comércio livre e a sensação muito forte de estar “nesse lugar onde o Brasil foi Paraguai”, como Paulo Simões tão bem definiu em “Sonhos guaranis”.

Assumimos a secretaria com o intuito político de realizar um intercâmbiocultural mais intenso com o Paraguai e a Bolívia, apresentamos um projeto ao então Ministro da Cultura Celso Furtado, que propunha fazer de Mato Grosso do Sul uma região experimental de relacionamento com nossa Ameríndia via Paraguai e Bolívia e dissolver as máculas que temos com o continente por conta de nosso país ser considerado aquele que não se voltou aos seus vizinhos. Acreditava, como acredito, que a cultura é um instrumento capaz de cometer essa transformação. E Julio Cezar Alvarez teve uma função mais do que especial no que pudemos realizar em prol desse projeto, principalmente no Paraguai. Como é do conhecimento histórico e tem bibliografia catalogada, não vou me estender no assunto. Mas Julio foi fundamental como porta-voz e intérprete de nossas ideias na missão ao Paraguai, onde conseguimos, inclusive, quebrar barreiras dacensura no governo Alfredo Stroessner. Foram momentos históricos e artistas e críticos paraguaios integrantes do nosso evento consideram que nossa ação pode ter sido o início de uma abertura na cena cultural.

Recentemente, quando o boliviano/campo-grandense Abílio Escalante expôs no Marco, associei o nome desses dois artistas que foram suportes ativos dessa atuação pela Identidade Ameríndia. À época vivendo em La Paz, Escalante nos fez as honras da casa na Bolívia.

Recordar fatos ocorridos há trinta anos atrás torna-se importante para explicar e valorizar o trabalho de um artista que contribuiu na alma e na essência de nossa formação sócio-política e sua consequência artística. Depois veio o Festival América do Sul, onde Julio teve Sala Especial na terceira edição, sob minha curadoria. A consolidação da união cultural com a América do Sul, através dos anos, ora mais intensa, ora menos, se mostrou de qualquer forma irreversível e ainda que sem o retorno imediato da proposta original, chegaremos lá.

JulioCezar Alvarez é parte dessa conquista e sua pintura com características tão telúricas comprova-nos essa ideia. Sentimos a cultura erudita e popular paraguaias reunidasnas cores de suas telas cheias de dramaticidade. O próprio Julio Cezar hoje é um artista pleno de experiência, bom senso e sabedoria. Neste registro há um texto poético do artista, que explica de forma contundente como ele sente o seu trabalho e provavelmente como devemos senti-lo também. Eu não apresentaria melhor essa pintura,que me evoca guarânias, danças, sabores e sensualidades paraguaias, do que ele mesmo. Parabéns, artista hermano!

Humberto Espindola
Artista plástico

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