EXPOSIÇÃO: COLAGENS MUSICAIS

1ª Temporada de Exposições 2015
14 de abril a 14 de junho de 2015
Exposição: Colagens Musicais
Artista: André de Miranda

COLAGENS MUSICAIS

A técnica de colagem foi utilizada pela primeira vez na época da invenção do papel na China, cerca de 200 aC. A utilização da colagem, no entanto, manteve-se muito limitada, até o século 10 no Japão, quando calígrafos começaram a aplicar o papel colado, com textos sobre superfícies ao escrever seus poemas. Na Europa, a colagem somente apareceu durante o século 13 quando folha de ouro em painéis começou a ser aplicado em catedrais góticas. Gemas e outros metais preciosos foram aplicados a imagens religiosas, ícones, e também, brasões de armas.O cubismo foi o primeiro movimento artístico a utilizar colagem.

Numa incessante busca de aprimoramento de minha linguagem xilográfica durante os mais de 30 anos de atividade profissional ininterrupta, apresento agora trabalhos em que papéis colados desempenham um importante apelo visual, embora isto em si não configure exatamente uma novidade, já que inúmeros são os artistas que vem utilizando este meio expressivo desde os tempos do Cubismo. O diferencial neste caso, como gravador, fica a combinação da técnica da xilogravura – utilizada na forma de trechos recortados e colados de minhas próprias gravuras, com aplicação de papéis coloridos, visando a composição de novas imagens dentro da série “Xilocidade”, evocando a música, inserindo trechos de partituras originais que pertenceram a minha tia materna.

A cor possui igualmente bastante importância, sendo utilizada ora como elemento de apoio tonal, quando os papéis coloridos distribuem tons acinzentados, esverdeados e rosados pelo espaço composicional, ora como elemento bastante ativo, de alta cromaticidade, como nos casos em que os papéis aplicados possuem cores como amarelo, laranja e azul. Sobre esta base tonal ou em contraste com as cores fortes, os elementos xilográficos, as notas musicais e as mais diversas formas negativas (o branco do fundo) ou positivas (os marcantes recortes de papel negro e os elementos xilográficos) executam uma espécie de “dança” que, oscilando entre ritmos lentos e agitados, cria uma vibração. São conexões entre a linha melódica e a linha gravada, recortada, rasgada no tempo do compasso e das divisões, na métrica e na modulação da forma e da cor, em sobreposições e texturas representando a polifonia de minha obra.

André de Miranda
Março de 2015.

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