Exposição: Nos Caminhos Afro

1ª Temporada de Exposições 2014
16 de março à 01 de junho de 2014
Exposição: Nos Caminhos Afro
Artista: Pierre Verger

Itinerância: Exposição Nos Caminhos Afrochega a Campo Grande (MS)
Composta por fotografias em preto e branco de Pierre FatumbiVerger.

De notável qualidade plástica, as fotografias que compõem a exposição revelam a proximidadede povos de origem afrodescendente com o continente-matriz, a África. São registros sobre o cotidiano, a cultura e a religiosidade de descendentes de africanos no Brasil e em mais de 20 países. Nos Caminhos Afro é um convite a uma viagem no tempo com destino às sutilezas e às peculiaridades do universo interpretado por um fotógrafo-viajante, que realizou longas expedições de 1932 a 1970. O interesse de Verger pelo povo de origem africana o levou a destinos como Cuba, Haiti, Serra Leoa, Santo Domingos, Estados Unidos etc.
Além das fotografias, os visitantes podem assistir dois vídeos. São eles: Olhares Nômades (2005) e Mensageiro entre dois mundos (1999). O primeiro é composto por trilha sonora original e 600 fotografias sobre cultura popular nordestina. Já o segundo trata-se do documentário de Lula Buarque de Holanda, no qual Verger aparece em sua última entrevista antes de morrer, feita pelo artista Gilberto Gil.
A exibição da exposição Nos Caminhos Afro em Mato Grosso do Sul marca a terceira etapa de um projeto de itinerância que percorrerá quatro cidades brasileiras até 30 de novembro de 2014. Antes de chegar à Campo Grande, a exposição foi vista por mais de sete mil pessoas em Campina Grande, na Paraíba, onde ficou em cartaz durante três meses no Museu Assis Chateaubriand (MAC-UEPB) e em Teresina, no Piauí, exibida recentemente no Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes. Após temporada no Mato Grosso do Sul, a mostra seguirá para Goiânia (GO), último destino da itinerância. Para o curador da exposição, Alex Baradel, a escolha dos destinos foi fundamental no processo de montagem do projeto. “Escolhemos cidades que receberão uma exposição de Verger pela primeira vez. Fizemos questão de mapear museus fora do eixo Sul-Sudeste, que, por tradição, já recebem grandes exposições”, explica.Antes da itinerância, Nos Caminhos Afro foi exibida pela primeira vez em 2012, em Vitória (ES), onde foi vista por mais de cinco mil pessoas.
O projeto de itinerância é uma realização da Fundação Pierre Verger com financiamento da Petrobras por meio do Programa de Incentivo Petrobras Cultural. Em Teresina, o projeto conta ainda com apoio do Museu do Piauí – Casa de Odilon Nunes e da Fundação Cultural do Estado do Piauí (FUNDAC).

A exposição
Com maestria de quem faz da fotografia não apenas um ofício, mas uma expressão artística, Pierre Fatumbi Verger registrou cenas que convergem com o que há de mais genuíno no continente-mãe, com leveza de quem retrata a vida por vocação, enxergando beleza em atos do cotidiano despercebidos ao olhar comum.
As imagens da exposição Nos Caminhos Afrorevelam singularidades, como Tambor de Mina, no Maranhão, Xangô, em Pernambuco, Candomblé, na Bahia, feiras, mercados e festas populares, um vasto leque sobre o cotidiano do povo negro. Qualidades tão africanas registradas em uma época na qual imperava uma cultura europeia dominante e opressora. A obra em exibição é resultado davivência pessoal como fotógrafo-viajante, que se tornou antropólogo não assumido, babalorixá não atuante.

O autor
Embora nascido em uma família europeia burguesa, Verger optou por uma vida simples,  diferente da sua origem. Longe de casa, dedicou-se integralmente à fotografia, à pesquisa e à religião de matriz africana, realizando ao longo da vida um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e na cultura popularde povos dos cinco continentes. Como pesquisador, escreveu diversos livros sobre cultura afro-baiana e a diáspora, voltando seu olhar de pesquisador para o candomblé, foco de interesse da sua obra.
Em 1953, Verger viveu na África o “renascimento” a partir de uma iniciação religiosa, recebendo o nome de Fatumbi. Significa “nascido de novo graças ao Ifá”. A intimidade com a religião de matriz africana, experiência iniciada na Bahia, facilitou o contato com sacerdotes e autoridades na Bahia e na África. Como um mensageiro, Verger levava e trazia informações, mensagens, objetos, criando uma rota de pesquisa que ligava a origem ancestral à cultura e aos cultos praticados no Brasil. Foi iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso à tradição oral iorubá.
De 1930 até o início da década de 1940, Verger realizou longas viagens ao redor do mundo. Polinésia Francesa, Japão, Camboja, Índia, Portugal, Espanha, Bolívia, Argentina são alguns lugares fotografados por Verger. Em 1946, desembarcou na Bahia pela primeira vez e logo foi seduzido pela hospitalidade e pela riqueza cultural encontrada em Salvador. Em terras baianas, Verger adotou não apenas nova residência, mas um estilo de vida. Conviveu com trabalhadores do porto, lavadeiras, capoeiristas, e artistas como Carybé, Mário Cravo e o escritor Jorge Amado. Dos anos 1960 até sua morte em 1996, morou em uma casa simples, de cama estreita e poucos móveis, onde atualmente funciona a Fundação Pierre Verger. Escolheu um bairro popular, desenhado por vielas e saliente ladeira.No total, a obra de Verger abrange mais de 60 mil fotografias e inúmeros livros, acervo disponível para visitação na Fundação.
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