Exposição: Pinóquio – 64 originais

3ª Temporada de Exposições 2013
14 de agosto à 13 de outubro de 2013
Exposição: Pinóquio – 64 originais
Artista: Alex Cerveny

A alquimia de Alex Cerveny é uma arte filosófica que busca ver o universo de outra forma, encontrando nele seu aspecto espiritual e superior, passando do microscópio das lâminas empoeiradas ao universo da imaginação humana. Íntimo e universal, o trabalho de Alex Cerveny demonstra mais uma vez que o artista não se perde mesmo mudando de direção. Escolhendo uma técnica de gravura do século XIX, ele soube minuciosamente achar seu caminho, reencontrando seus territórios imaginários e seus personagens recorrentes.
No mesmo livro A psicanálise do fogo, citado acima, Bachelard diz:

“O que sabemos do fogo é que não se deve tocá-lo. O problema do conhecimento pessoal do fogo é o problema da desobediência ágil. A criança quer fazer como o pai. Longe do pai e tal como um pequeno Prometeu lhe rouba o fósforo. Podemos classificar desta forma, na categoria de Complexo de Prometeu todas as tendências que nos levam a querer saber tanto quanto nosso pai, mais do que nosso pai, mais do que nossos mestres… O Complexo de Prometeu é o Complexo de Édipo da vida intelectual.”

Alex desobedeceu. Mudando de médium, abandonou a categoria da pintura por um tempo e desenvolveu com muita agilidade uma nova forma de expressar a sua arte. Atravessando o deserto da fuligem, ele nos convida a ver suas miragens pessoais que brilham no escuro.

– StéphaneMalysse, trecho de Desenhando na fuligem: As miragens fotográficas de Alex Cerveny, 2008
Chamam a atenção as ilustrações de Alex Cerveny, híbrido de gravura e fotografia. Realizadas em cliché verre, técnica francesa contemporânea à criação do clássico infantil, resgatam a tragédia e o realismo da alma italiana do personagem. “É um negativo feito a mão. Surgiu da vontade dos artistas de pesquisarem as possibilidades da fotografia que estava surgindo”, afirma.

A obra marcou a infância do artista. “Ao longo da história, Pinóquio vai revelando características humanas, boas e más, com as quais a gente se identifica. Aprendemos desde pequenos como ele, mas continuamos repetindo os erros… Por isso é comovente reler este clássico.”

– Deborah Giannini,trecho de Bonequinho de Luxo. Revista Brasileiros, jan/2012.
“Tem até um componente metafórico nessa história [no uso do clichéverre], porque é o tipo de técnica que não permite erros, não tem volta”, conta Cerveny, aludindo ao caráter do mentiroso boneco de madeira criado por Gepeto.

– Antônio Gonçalves Filho, trecho de Pinóquio: Nova edição traz texto integral, Estado de São Paulo, 20/dez/2011.

 

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