Exposição: Traços e Registros

3ª Temporada de Exposições 2006
24 de novembro de 2006 à 11 de março de 2007
Exposição: Traços e Registros
Artistas: Grupo Contempo (Desirèe Melo, Herley Nicolau, Douglas Colombelli e Anderson Lima)

 

Traços e Registros

A emancipação do olhar provocada pela fotografia e pelas trocas culturais entre Ocidente e Oriente foram fatores decisivos para o nascimento da modernidade e do questionamento do papel da arte e do artista no século XIX.
De lá para cá, a fotografia se tornou uma linguagem independente, despicturializou-se, assim como a própria pintura ou, ainda, a escultura, que se desvinculou da estatuária. Questionada sua capacidade de “captar o real”, no que ele tem de “mais verdadeiro”, parecia impossível que à fotografia fosse reservado também o espaço polissêmico da arte conceitual, espaço construído pelo olhar desde, pelo menos, Man Ray, nos anos 1920.
Essas observações são importantes para a exposição Traços e Registros que apresenta obras em fotografia de Desirée Melo e de Herley Nicolau, em vídeo de Anderson Lima e em escultura de Douglas Colombelli.
A partir de diferentes técnicas, as linguagens tradicionais passam por um processo de desmimetização: ainda que apresentem uma relação icônico-indicial, sua manipulação provoca efeitos de sentido que vão além do que é reconhecido.
Para Desirée Melo, muito mais do que o corpo, importa a letra e sua capacidade plástica. O mundo dos shopping centers é reduzido em suas cores e possibilidades de consumo, tornando o signo gráfico matriz do visível e do imaginário.
O trabalho de Herley Nicolau descentra o observador na medida em que as imagens sobrepostas, o “modelo” e seu reflexo na transparência da vitrine, não permitem que se afirme o que é o real e o que é simulacro. O projeto 3×4 de Anderson Lima recupera o papel primeiro da fotografia, o registro em close. Mais de 200 pessoas de diferentes idades, sexos e lugares são postas em relação de continuidade, marcando suas diferenças e, ao mesmo tempo, passando por um processo de perda e diluição de identidade.
A rigor, a escultura não necessita da referencialidade, o objeto escultórico existe independentemente dela. Douglas Colombelli recupera a figura da escultura moderna e o desejo de dizer isto não é um corpo, “isto é uma escultura”, (como fizeram seus precursores Rodin, Degas e Moore), expresso na falta de polimento, na mistura de materiais, na exposição em transparência do que está dentro da figura. Propõe-se a discutir, assim, questões como a beleza, a dependência, os afetos do homem contemporâneo, ainda que pudesse delas prescindir.
A exposição, como um todo, revela os diferentes sujeitos e o olhar que eles dirigem ao mundo, destacando a possibilidade de ressignificá-lo, inventando uma outra realidade, experimentada individualmente e mais livre de dogmatismos.

Maria Adélia Menegazzo
Professora da UFMS e crítica de arte

Grupo Contempo

Da necessidade de investigar, discutir e desenvolver diferentes possibilidades estéticas surge o grupo ComTempo (2002) prezando por experimentar diferentes conceitos, técnicas e linguagens nas artes visuais. Como um dos reflexos que surgiu da oferta de informação fácil influenciando na posição regionalista da arte sul-matogrossense, o grupo prima pela auto-análise e crítica buscando um amadurecimento estético e conceitual na produção individual de cada artista integrante.
Suas obras preservam a liberdade de experimentação sobre as linguagens artísticas (novas e/ou tradicionais), obtendo um resultado estético original e característico de um grupo que discute a linguagem da arte contemporânea.

Por que em grupo?
A convivência destes artistas durante o processo de criação de suas obras, bem como as discussões e influências em comum, favorecem uma união em seus trabalhos em uma linha concisa em suas temáticas e práticas, característica dominante em seus trabalhos.
O ComTempo tem como premissa a busca por experimentações, independentemente da linguagem: “presentação”, representação ou apresentação. Ele sugere uma linha de produção artística não acomodada, extremamente produtiva e livre de preconceitos, tendo seus trabalhos como resultados de discussões teóricas e aceitando ser a união de idéias difusas e antagônicas sobre a evolução de processos de criação. Uma hibridização de linguagens, conceitos, pessoas e expressão.

 

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