Exposição: Pontos de Vista

3ª Temporada de Exposições 2006
24 de novembro de 2006 à 11 de março de 2007
Exposição: Pontos de Vista
Artista: Stephan Hofmann

Pontos de Vista 

Desde a hora em que nasceu, ela [a fotografia] se faz passar pela pura captação do real, pura reprodução, ela faz acreditar no real, quando na verdade é construída pelo olhar e adquire forma por meio de uma técnica.

Jacques Leenhardt

Fotografia e manipulação parecem sinônimos a se aceitar a falta de inocência do olho humano. Quem olha já constrói sentidos de antemão e a partir deles ressignifica o mundo, uma operação que parece se acentuar de forma consciente na sociedade contemporânea, fundamentada na imagem que também passa, agora, por transformações indiscutíveis (ou não?) do grão ao pixel. As exposições de fotografia trazem, como nunca, implícitas em sua natureza, os modos de percepção e de apreensão do real. Assim, se toda fotografia é um simulacro daquilo que representa, o espaço por ela construído também o deverá ser.

A exposição Pontos de vista trata da construção desse espaço e das operações lúdicas propostas pelo olhar de Stephan Hofmann, cuja obra transita com facilidade pelas duas vertentes fotográficas anunciadas na epígrafe: reprodução e invenção.

Cada obra está recortada em fragmentos que, distanciados ou aproximados, convidam o observador à produção do sentido, a depender de suas escolhas e combinações. Se o tamanho do fragmento pode induzir a uma suposta hierarquia, a justaposição das partes poderá eliminá-la. Simétrica ou assimetricamente, as imagens vão se apresentando com um apelo narrativo interrompido pelo corte preciso, evocando, antes, um estado e não uma ação, uma transformação. Desse modo, uma banal folha de bananeira ou um tosco pedaço de pau adquirem um sentido estético ao serem desvinculados do todo a que pertencem e submetidos a um jogo de linhas, sombras e cortes, que enfatiza sua materialidade, malgrado o resultado abstratizante. O espaço visualmente construído se sustenta, assim, sobre esses elementos (luz, sombras, linhas, cores, distâncias) que controlam a eficácia do efeito estético sobre o objeto fotografado.

Os pontos-de-vista de Stephan Hofmann retomam o sentido mágico das relações da fotografia com a própria linguagem fotográfica, interferindo no nosso modo de pensar essa arte como documento da realidade. Uma poética do recorte se afirma nesta exposição, seja no aumento da escala, no jogo entre cheios e vazios ou na plasticidade diferenciada de objetos comuns, periféricos numa escala de valores da sociedade de consumo, o que nos obriga a repensá-los envolvidos no silêncio em que agora se encontram.

Maria Adélia Menegazzo
Crítica de arte e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

PONTOS DE VISTA é uma instalação fotográfica que convida o observador a participar de um discurso com imagens em um espaço.

Segundo a regra da perspectiva, quadros do mesmo tamanho, colocados num espaço, em distâncias diferentes do olho do observador, aparecem em tamanhos diferentes – o mais perto maior e o mais longe menor.

“Pontos de Vista” “quebra” com essa regra. Através da inversão do princípio, compensando o tamanho dos quadros (ampliação do quadro mais distante e diminuição dos quadros mais próximos), chegamos ao ponto onde o quadro completo é visível, ainda que ele venha a se compor de vários segmentos, em distâncias diferentes.

O resultado é uma vista “irreal” da obra completa, uma composição dos seus fragmentos para um quadro integral. É função do observador buscar o ponto de vista único para cada obra.

São 14 obras, cada uma delas dividida em dois ou três fragmentos. Esses fragmentos de imagens são colocados de forma aparentemente caótica mas, em verdade, cada fragmento faz parte de uma ordem de alta precisão. A instalação, à primeira vista, suprime os princípios da geometria, mas na realidade, ela é baseada em regras de perspectiva, trabalhando com o ângulo de visão natural do nosso olhar. O posicionamento dos fragmentos no espaço, seus tamanhos e a distância entre eles permitem a percepção de cada obra, inteira, de apenas um único ponto de vista. É o observador que deve buscar esses pontos no espaço para visualizar a imagem como um todo e, então, completar as obras. Assim, ele faz parte da obra e se torna executor do processo artístico.

As obras foram fotografadas entre os anos de 2004 e 2006, especificamente para a realização desse conceito. São motivos abstratos, escolhidos pelas suas características específicas, principalmente pelas suas linhas rígidas, que permitem uma realização exata do conceito.

São motivos de “arquitetura” – tanto criados pela natureza, quanto pelo ser humano, Todas as fotos foram tiradas em lugares do Estado de Mato Grosso do Sul.

2006_expo_hofmann1

Anúncios